Degustação Seleção Mundial, para começar Rioja Gran Reserva 94 e Casa Ferreirinha 97

Acabei de voltar desta degustação na Portal dos Vinhos (Morumbi), e posso dizer que foi um sucesso. Casa cheia e muito vinho bom! A degustação por si só já prometia. Nomes como Casa Ferreirinha e Don Melchor estavam na lista. Começamos com um vinho branco surpresa, até o final do post eu conto. O vinho mais novo tinha 10 anos. Foi difícil saber por onde começar, mas por consenso, iniciamos a degustação pelo mais antigo até chegar ao mais novo.
Que tal falarmos um pouco deles?

Ontañón Gran Reserva 1994.
Este é um vinho que podemos dizer ser especial. Primeiro como todo vinho especial, ele tem uma história. Tudo começou em uma viagem que fizemos a Espanha. Emilio e eu em nossa visita a Bodegas Ontañón, ficamos impressionados com o tal cemitério de vinhos. Nada mais é que uma área da bodega, onde há milhares de vinhos Gran Reserva da safra 1994 empilhados em corredores estreitos. Por segurança com o teto rebaixado impedindo que nenhuma garrafa possa ser retirada. Ficamos um tanto impressionados e resolvermos comprar uma caixa (com 6) cada. Infelizmente recebemos a notícia de que não era possível comprar, pois não havia mais à venda. Resolvemos então comprar 1 caixa cada da safra 2001. Mas nem tudo estava perdido, em um jantar com Raquel Perez (proprietária da bodega), ela se ofereceu a devolver o dinheiro porque disse que se sentia ofendida de nós comprarmos. Para ela era como se fosse uma obrigação, devido ao fato de estarmos na bodega a seu convite. Por fim, na manha do dia seguinte, nossa amiga Maria Rodrigo (gte. vendas da bodega), apareceu com 2 caixas no porta malas do carro, e adivinhe do que? Ontañón Gran Reserva 1994.
Bom, depois de um pouco de história, vamos ver como foi na degustação. Proveniente de uma safra histórica em Rioja, este vinho 95% Tempranillo e 5% Graciano, passa por 2 anos em carvalho e 3 em garrafa. Na degustação mostrou-se um espetáculo no nariz, uma fruta madura, cassis e muito intenso. Um vinho para ficar horas só sentindo seus aromas. Já de início na boca um pouco novo, com ótimo corpo, muita fruta e muito elegante com o passar do tempo na taça. Um vinho memorável, qualquer palavra ou coisa que eu diga, não será possível descrever o quão bom é.
ES 98 pts

Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997.
Este grande vinho da região do Douro, não sai em toda safra. Aliás só é feito em safras “menos excepcionais” , explico: Quando a safra é mais do que excepcional e o vinho atinge um patamar que para os enólogos da Casa Ferreirinha é o TOP dos TOPs, é engarrafado como Barca Velha, mas se por milésimos de diferença ou até mesmo pelo humor dos enólogos (brincadeira) é produzido o Casa Ferreirinha Reserva Especial. Em resumo os 2 vinhos passam pelo mesmo processo de elaboração, mas ao final a equipe de enólogos escolhe qual vinho será. Produzido com as casas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Franca.
Nesta degustação se mostrou um pouco fechado no nariz, mas com algumas notas de frutas. Já na boca trouxe elegância e muito equilíbrio. Ainda na boca, mostrou-se bem maduro, leve mas com corpo e uma fruta mais para ameixa.
ES 92 pts

Chatêau Tour Peyronneau 2000.
Este vinho da AOC Sait-Émilion Gran Cru, mostrou-se no nariz um vinho intenso. Animal, defumado e mineral são suas principais características. Na boca um vinho novo, corpo médio e com tanino muito presente. Traz ainda especiarias, mineral e um Merlot bem predominante na boca. Elaborado com as castas Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon.
ES 88

Prunotto – Bric Turot Barbaresco 2001.
Produzido na região do Piemonte com 100% Nebbiolo, este vinho não trouxe muita complexidade no nariz. Sinceramente eu só percebia notas de balsâmico no nariz e na boca. Além de um pouco de café, boa acidez e um corpo médio.
ES 86

Don Melchor 2001.
Este é um clássico dos vinhos chilenos. Proveniente dos vinhedos de Puente Alto da Concha y Toro, este vinho sempre impressiona. Traz corte de 91% Cabernet Sauvignon e 9% de Cabernet Franc. Passa ainda 15 meses em carvalho francês.
Que atirem a primeira, a segunda e todas as pedras que encontrar, mas tem dia que o vinho resolve se esconder e este foi um desses dias. No nariz notas de baunilha, chocolate e café. Até este momento perfeito. Já na boca apesar das mesmas notas do nariz, o que é uma grande qualidade, mostrou uma acidez um tanto elevada, o que fez perder toda a elegância que tem este vinho. Sem contar que faltou um pouco de corpo. É um grande vinho, mas neste dia deixou a desejar.
ES 85

Por fim aos guerreiros que ainda ficaram, resolvemos fechar a noite com um Viña Bosconia 2000. Posso dizer que se este vinho fizesse parte da degustação, estaria entre os melhores da noite sem dúvida.
Claro, não posso deixar de revelar qual era o vinho branco surpresa da noite, o Maestrale da Sanjo, um belo corte de Chardonnay e Sauvignon Blanc que surpreendeu a todos.

Este é o mundo do vinho, vivemos destas grandes experiências …

tin-tin

Edição: Evandro Silva/Francisco Stredel

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