Vinhos, Pai, Histórias… (Por Fátima Santoro)

O dia dos pais está chegando e eu fico lembrando das histórias que meu pai contava (e ainda conta) sobre as coisas que ele já viveu. Hoje eu conto algumas histórias para ele, mas não sobre a minha vida porque ele conhece muito, mas conto algumas das histórias que os vinhos nos conta. Cada gole de vinho é um prazer, e cada um com sua história, quer ver só?

Você sabe por que nos vinhos assinados pela família Rothschild tem um símbolo formado por 5 setas? Mayer Amschel Rothschild herdou um estabelecimento de moedas que com o tempo se transformou num banco. O banqueiro emprestou um dinheiro para seus 5 filhos homens e os enviou para 5 cidades de diferentes países na Europa. Cada uma das setas representa um dos caminhos dos Rothschild, de cada um dos filhos. Por isso nos vinhos feitos pela família, aparece este símbolo com a letra R no meio (ou uma coroa no meio). Dizem ainda, sobre a família Rothschild, que após as invasões Napoleônicas, a Rússia cobrou os prejuízos da França, das devastações e destruições que Napoleão causou até perder a guerra. Como a França também não tinha como pagar a dívida, a família de banqueiros pagou a dívida em nome da França e assim conquistou muitas coisas dentro da França, entre elas os títulos de Barões e Baronesas além da gratidão do país. Hoje existe em Pauillac, na região de Bordeaux, as propriedades da família, que produzem os famosos Château Lafite Rothschild (que segundo o livro “O Vinho Mais Caro da História” fez o vinho mais caro até hoje) e o Château Mouton Rothschild, entre outros vinhos.

Bom, para incomodar um pouquinho os Rothschild, nomeadamente o Mouton, existe um pequeno produtor que produz um vinho chamado Château Béhèré (leia-se como se fosse o som de uma ovelha), que em seu rótulo leva a imagem de um lobo, e é feito com Cabernet Sauvignon (75%), Merlot (23%) e Petit Verdot (2%). A micro-propriedade fica de frente para o Château Mouton, mas uma parte de seus vinhedos fica no meio dos vinhedos do Mouton Rothschild, e como mouton em francês significa ovelha, os proprietários do Béhèré, Anne-Marie e Jean-Gabriel Camou, dizem serem os lobos no meio das famosas ovelhas, pois precisam adentrar a propriedade do vizinho para entrar na sua propriedade! Produzem uma quantidade baixíssima (cerca de 1500 caixas por ano!) de um vinho maravilhoso, suculento, que harmoniza muito bem com carne de “cordeiro” e que custa 1/10 do valor do vinho que seu vizinho famoso produz, e com vinhedos dentro da mesma região! É considerado um Petit Château, e faz parte dos Cru Artisan de Bordeaux.
Já na Toscana, existe um casal, Giulio e Miriam Caporali, que são proprietários da Tenuta Valdipiatta, que desejavam muito produzir um Chianti. Após algum tempo a família conseguiu o que precisava para fazer os vinhos tão desejados. Numa noite em que a família estava provando o vinho e que iam dar o nome, eles ouviram ao longe, peças da famosa ópera de Puccini, Tosca. E assim foi batizado o vinho: Tosca, um Chianti Colli Senesi, feito com as uvas Sangiovese (90%) e Canaiolo Nero (10%), casamento perfeito para massas e algumas carnes. Ainda na Itália, existe um vinho chamado Edizione – Cinque Autoctoni, que nasceu de uma “cutucada”. Os bordaleses disseram para os italianos que todos os vinhos bons que se produzia na Itália tinha que ter uma uva bordalesa no meio. Os italianos, mordidos de raiva encararam isso como um desafio: fazer um vinho de corte, tão bom, cheio de estrutura, complexo e longevo como os bordaleses, mas só com uvas italianas. E assim nasceu este vinho, que como o próprio nome diz, é feito 5 uvas autóctones, Malvasia Nera(5%), Montepulciano(33%), Negroamaro(7%), Primitivo(30%), Sangiovese(25%), feito pelo Feudo di Farnese, num castelo em Abruzzo, mas as uvas, próprias, vêm das regiões Abruzzo e da Puglia, e é apresentado numa garrafa que só ela pesa 1,8 kg. 2 horas de decanter e … maravilhoso!
E assim vou eu, tomando mais um gole de prazer, ou melhor, de vinho, e aprendendo novas e boas histórias! Feliz Dia dos Pais!!!

Saúde!

Fátima Santoro.

Matéria publicada no jornal Bairro News Morumbi

tin-tin

Edição: Evandro Silva / Francisco Stredel

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