Futebol e Vinho (por Fátima Santoro)

Tomo a liberdade de usar a expressão do blog da Confraria dos Panas, Futebol e Vinho, porque os dois têm andado muito juntos, principalmente nesta época de copa do mundo.

O país anfitrião, África do Sul, está na rota internacional de produção de vinho. A principal região vinícola de lá é nas proximidades da Cidade do Cabo onde, propositalmente, foi construído um estádio para esta copa, que, quando fica totalmente iluminado dá a ilusão de uma enorme taça de espumante suspensa, e a sua inauguração, olha que delícia, foi regada de vinho espumante! Na África do Sul, encontramos vinhos feitos com diversas uvas, mas em especial a uva Pinotage, que surgiu do cruzamento das uvas Pinot Noir e Cinsault (que também era conhecida por Hermitage devido à sua origem, daí o nome Pinotage) que faz excelentes vinhos. Tanto podemos beber um Pinotage mais leve, que é ótimo para os petiscos como também os mais suculentos e carnudos que é o caso do Morkel Pinotage. Esta uva tem a sua marca neste país.

A Itália foi decepção só no futebol, pois nos vinhos ela continua muito bem, obrigada. Existe uma variedade gigantesca de vinhos bons na Enótria (nome da Itália na época em que os gregos é quem andavam por lá, todas as videiras que se plantava dava bons vinhos, no país inteiro, daí que os gregos deram este nome para aquela terra). A região da Toscana tem uma paisagem lindíssima e vinhos inesquecíveis como o Brunello di Montalcino e o Nobile de Montepulciano. Nesta região, a principal uva é a Sangiovese, que faz os vinhos Chianti Clássico. Nos vinhos que eu citei, são utilizados clones desta uva, em Montalcino usa-se a Brunello e em Montepulciano usa-se a Prognolo. Mas tem muitas outras coisas deliciosas por lá.

O país que já deu uma goleada nesta copa é Portugal. Lá também tem muito vinho bom além de ser a terra do famoso Vinho do Porto. Em Portugal diz-se ter mais de 200 uvas catalogadas, mas como cada uma delas têm 2, ou até 3 nomes diferentes, podemos dizer que existem cerca de umas 70, 80 uvas catalogadas como sendo autóctones (uvas daquele país). A emblemática é a Touriga Nacional, que historicamente apresenta suas origens na região do Dão, de onde saem vinhos elegantes e especiais. Como falamos a mesma língua, podemos dizer que neste país tem uvas com os nomes mais esquisitos possíveis. Tinto Cão, Rabigato, Rabisco, Espadeiro, Tinta da Nossa, entre muitas outras que são portuguesas com certeza. Os nomes são estranhos, mas os vinhos são maravilhosos. Um vinho pro petisco e descompromissado é o Quinta do Casal Branco da região do Ribatejo e outro que eu também recomendo é o Conversas, da região do Douro. No Alentejo tem o Paulo Laureano Clássico, o Esporão Reserva e o Vinha do Monte, que são 3 vinhos bem diferentes um do outro mas com características que deixam vontade de beber outra taça. Vale a pena provar todos!

Quem deu vexame na copa foi a França. Nossa que confusão aquela! E o Thierry Henry, super craque (nem que seja com a mão) ficou no banco??? E aquele técnico antipático que virou as costas pro Parreira!!! Ops, alguém falou em Parreira? Parreira é também outro nome dado à planta da uva. Mas voltemos à França… a terra dos châteaux. Bom, château em francês quer dizer castelo, mas se falarmos de vinhos, nem todo Château é um castelo, aliás, a maioria é a referência à propriedade. Em Bordeaux, a maioria dos nomes dos vinhos começa por Château. Se estivermos na margem esquerda do rio, provaremos vinhos com predominância de Cabernet Sauvignon pois o solo daquela região é muito mais favorável ao cultivo desta uva; se estivermos na margem direita, encontraremos vinhos com a predominância da Merlot. As duas uvas mais plantadas na região, e geralmente são “cortadas” (mistura dos vinhos) com outras uvas como a Cabernet Franc, a Petit Verdot, Malbec e Carmenère. Um vinho muito elegante é o Château Les Cèdres e um outro mais encorpado, mais longevo que com o tempo se torna um grande vinho é o Chevalier de Gruaud, segundo vinho do Château Gruaud Larose, da região de Saint Julien.

Bom, e a seleção pentacampeã? Ah, aqui também tem vinho!!! Tem o ícone Storia 2006 da Casa Valduga, que só chegará nas lojas em agosto mas já tem a produção toda vendida (ainda tem lugar onde dá para reservar uma garrafa!) que é 100% Merlot, mas para acompanhar os jogos do Brasil, vou naquela de “cerveja do vinho”, o nosso espumante. A acidez destes vinhos é ótima para acompanhar os torresminhos, os salaminhos, e claro, comemorar cada gol do Brasil.

Saúde!
Fátima Santoro.

Matéria publicada no jornal Bairro News Morumbi

tin-tin

Edição: Evandro Silva / Francisco Stredel

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