Desvendando os segredos do Storia (Entrevista com Juciane Casagrande, Diretora Comercial da Casa Valduga)

Caros leitores, tivemos a honra de realizar um desejo que tínhamos em mente faz algum tempo. Num encontro para lá de interessante, entrevistamos a Juciane Casagrande. Enóloga de formação e diretora comercial da Casa Valduga. Com agenda cheia, conseguiu tempo para falar conosco. Sinceramente nos sentimos lisonjeados com esta oportunidade. Fomos recepcionados em São Paulo na Specialità dos panas da confraria e proprietários Ricardo e Cláudia Tomasi que nos acompanharam nesta entrevista.

Juciane, A Confraria2panas e com certeza os seguidores e entendedores de vinho do Brasil sabem que a Casa Valduga conseguiu criar um desejo, um emblema que podemos catalogar de “novo orgulho nacional”, o Storia! Parabéns pelo sucesso das pré-vendas da safra 2006!

Diante do sucesso de pré-venda, vocês pretendem comercializar outros produtos da mesma maneira?
A princípio, não. Na verdade o Storia tem sua própria identidade, que o diferencia dos demais vinhos. Não queremos usar a estratégia do Storia em outro vinho, se fizermos isso o Storia deixaria de ser ele, “um desejo” e seria mais um. Vou contar um pouco a “Storia” do Storia (uma pausa para um trocadilho com o nome do vinho). O Storia como produto e marca, não nasceu da casualidade, somos uma empresa que procura a máxima qualidade de nossos produtos e serviços e neste caso específico foram anos de estudo e aperfeiçoamento de um vinhedo. Sabíamos que havia potencial, então trabalhamos duro no campo, vinificamos o vinho e aos poucos fomos provando-o até acreditar que aquele seria um vinho diferente.
O respeito às características da uva Merlot, o profissionalismo e a dedicação foram os principais pilares para este sucesso. O Fabiano Olbrisch, gerente de Marketing da Valduga, chegou de uma empresa fora do ramo e com idéias inovadoras. Desenvolveu a embalagem do Storia com sua tira vermelha na garrafa que tem a linha do tempo da Storia (mais uma pausa para o trocadilho com o nome do vinho) do Storia, desde a poda ao engarrafamento.
Em virtude da produção limitada decidimos numerar as garrafas. Com isto surgiu a idéia de fazer a pré-reserva e enviar ao cliente um certificado contendo o numero da(s) garrafa(s) que estavam guardadas em nossa cave exclusivamente para ele. Da safra 2005 foram 6122 garrafas com reconhecimento qualitativo percebido pelos críticos e consumidores que apostaram na aquisição do produto mesmo sem conhece-lo. Foi um desafio para toda a equipe organizar o envio das garrafas numeradas e alguns até duvidaram que faríamos com tanto esmero.

Sentimos muita falta do Storia na Expovinis Brasil e na London Wine 2010, porque não apresentaram o vinho?
Consideramos que o vinho não estava pronto no momento das exposições. Precisava de mais tempo em garrafa e com certeza não desejamos gerar impressões erradas. Inclusive é um vinho de difícil manejo. O Storia 2005 necessita de decanter antes de servi-lo, agora imaginem a safra 2006 que é mais nova! Nas feiras não temos tempo hábil para esta logística.

Já que a quantidade do produto é limitada, há alguma intenção de comercializar este vinho no mercado internacional?
Não temos quantidade e nem a intenção de aumentar a produção para atender ao mercado internacional. A idéia do Storia é o mercado interno, tanto que só participamos de uma prova internacional com o produto. Mesmo levando a medalha de ouro, o nosso objetivo não mudou. Sabemos que há alguns comentários e tem muita gente de fora que já esta interessada no vinho. Aliás, com muita insistência… tem um importador nosso nos Estados Unidos que conseguiu encomendar uma pequena quantidade para o mercado Norte Americano.

O que determinou o preço para o Storia 2006?
Sabemos que na pré-venda houve um aumento significativo em relação à safra 2005. Por quê?

Tivemos alguns fatores que contribuíram para o aumento de preço. Um deles foi a substituição tributária e principalmente a oferta e a demanda! O Storia teve tanta aceitação que o preço foi subindo de acordo com a disponibilidade do produto. Este aumento não se deu na Valduga e sim onde era comercializado. Hoje é muito difícil, quase uma missão impossível encontrar um Storia 2005 à venda.

A maioria dos consumidores não sabe que existe um produto diferenciado no Brasil.
Qual é a estratégia da Casa Valduga para os consumidores não entusiastas?

A Casa Valduga tem várias ações neste sentido. Além de seu marketing e seus representantes, há outro fator muito importante que acontece na própria vinícola. Se você estiver visitando o Vale dos Vinhedos e se for à Casa Valduga, certamente terá a oportunidade de fazer um curso de vinhos. Dependendo da época temos a Vindima onde o visitante pode conhecer mais sobre o processo da elaboração de vinhos. Felizmente temos muitas visitas nas nossas instalações e isso nos permite ter um contato direto com os clientes, esta interação deixa à flor da pele a paixão que temos pelo que fazemos.

Você acha que a experiência com o espumante 130 anos, ajudou na estratégia de marketing do Storia?
Claro que sim. O 130 anos foi um espumante comemorativo criado para os 130 anos da família Valduga no Brasil. Como teve uma excelente aceitação pelo público consumidor, resolvemos colocá-lo como vinho de linha, mas com algumas diferenças. O rótulo que antes era branco e estava escrito “130anos”, mudou para “130” e passou a ter rótulo na cor preta. O espumante e a garrafa continuaram a ser os mesmos. Com certeza as melhores práticas desta experiência foram usadas no Storia.

Para finalizar, fale um pouco sobre o futuro da Valduga, o que podemos esperar? Alguma nova família de vinhos?
Sim, a Valduga sempre tem novidades. Na região da Serra Sudeste, em breve sairá um assemblage usando as uvas dos consolidados vinhos da linha “Identidade” que tem uma boa aceitação no mercado, principalmente externo. Esta idéia vem melhorar ainda mais esta linha, dando uma nova cara. Há também um espumante que ainda é segredo.
Por outro lado, estamos trabalhando no cultivo da Pinot Noir. Já fizemos a colheita, vinificamos o vinho e está nas barricas. Agora estamos esperando um pouco para ver como evolui.


Juciane Casagrande, Diretoria Comecial da Casa Valduga

Juciane mais uma vez muito obrigado pela entrevista e parabéns pelo sucesso, pela dedicação no campo e pelo profissionalismo. Esperamos ansiosos o próximo encontro e torcemos para que seja na sede da Casa Valduga.

Gostaríamos muito de agradecer também ao Fabiano Valduga que nos ajudou a tornar possível esta entrevista.

tin-tin

Edição: Evandro Silva / Francisco Stredel

2 comentários sobre “Desvendando os segredos do Storia (Entrevista com Juciane Casagrande, Diretora Comercial da Casa Valduga)

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