O dia em que Lampião tomou o Chatêau Petrus

José sempre foi um colecionador.
Começou de pequeno com as miniaturas de carrinhos de ferro, onde desenhava suas pistas no chão e ralava o joelho por horas brincando.
Foi ficando pouco mais velho e passou para as coleções de times de botão. Aliás, uma paixão que tem até hoje e que guarda dos tempos em que o pai construía com sobra de tábuas, os campos chamados de estrelão.
Do time de botão passou para caixinhas de cigarro, apesar de que nunca fumou. Colecionava porque achava bonita as caixinhas. Isso não durou muito.
Depois mais uma coleção, desta vez já maior e trabalhando começou a comprar carros em miniatura 1/18 como coleção de prateleira.
Passado alguns anos, foi trabalhar em uma grande multinacional. Começou a viajar por este mundo a fora e iniciou mais uma coleção, a de camisas de times de futebol. Possuía mais de 50 camisas de times diferentes, usava pouco e só tirava para lavar e guardar.
José se casou e suas coleções acabaram, parou de comprar tudo. Só restaram com ele a de carros 1/18 e as camisas de futebol.
Passado poucos anos ele se separou e com isso ganhou uma nova paixão e coleção, vinhos!
Comprou sua primeira pequena adega de 30 garrafas que foi enchendo tão rápido que teve que comprar uma bem maior.
Esta paixão se transformou em viagens, degustações, estudo e muitos amigos.
Como todo colecionador começou a procurar o que era raro e às vezes caro para sua coleção.
Depois de 3 anos ele comprou um grande vinho espanhol e que um ano depois compartilhou com os amigos. Foi uma emoção única para José, poder provar aquele vinho que ele tanto desejava.
Os anos se passaram e ele recebeu um convite através de um amigo para provar um vinho que é considerado o “Deus dos Deuses”, o Chatêau Petrus!
Deixou algumas visitas da família em casa e foi com os amigos a degustar o grande vinho. Aliás, amigos José escolhe e parentes não, isso é fato!
Após provar este grande vinho, como de costume José conseguiu um pouco daquele líquido que valia uma pequena fortuna. Ele gostava de guardar vinhos abertos para analisar nos dias posteriores.
Chegou em casa cansado, colocou seu vinho na geladeira e foi dormir.
Pela manhã acordou escutando um comentário: “Olha, tem um tal de Petrus na geladeira”
Imediatamente pulou e correu a ver o que estava acontecendo.
Na sala, encontrou o que restava do tal do Petrus no copo de um cidadão.

José lhe perguntou:
– Quem autorizou a pegar?
– Se suspeitava que era importante por que não perguntou antes, não é?

Seu primo Virgulino que acabara de chegar do sertão, acostumado a beber vinho de garrafão se cala.

Indignado, José faz outra pergunta:
– Olha, você sabe o que está bebendo? “Degustar sem chance!”
– Não deve nem ter idéia, não é mesmo? Você só imaginou que é caro e por isso se apoderou, certo?
– Alias educação zero, é aquela velha mania nacional de querer levar vantagem em tudo, não é?
– Veja bem, um jogador para chegar a jogar com uma Jabulani tem que ter ralado muito em campo, não adianta dar a qualquer perna de pau que o cara não está preparado para isso. Entendeu?

Seu primo sem nenhum arrependimento ou noção lhe diz:
– Então o vinho era “bão” mesmo. Mas achei meio seco e meti um pouco de açúcar!

José não acreditava e tão pouco tinha resposta.
Num último suspiro ele disse:
– É, hoje posso dizer que o Lampião tomou um Chateu Petrus!

Fim da historia, ficção ou realidade? Acredite se quiser…

tin-tin

Edição: Evandro Silva / Francisco Stredel

2 comentários sobre “O dia em que Lampião tomou o Chatêau Petrus

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