Diário de Bordo França – Borgonha, uma viagem inesquecível ao berço da Pinot Noir II

A segunda parte desta viagem revela surpresas…

A Região


Videiras da região e a uva rainha, Pinot Noir

Bem amigos, continuando a minha aventura saí a descobrir os encantos da Borgonha.
Primeiro vou dar um pouco mais de dados sobre a região que eu não disse no post anterior.
A Côte de Nuits possui 2500 hectares, repartidos em 16 comunes e com altitudes que variam de 230/260 ao Sul, e de 270/300 metros no sentido de Dijon. Comecei minha visita na Côte de Nuits por Marsannay, uma vila da Borgonha com 185ha de vinhas plantadas. Videiras em solo praticamente plano e com um pouco de variação nos extremos. A vista é muito bonita, são plantações simetricamente divididas, onde mesmo de longe pode-se ver a divisão das terras. A parte urbana, é até um pouco grande, com casas bem juntinhas, igreja e ruas bem estreitas. Depois fui conhecer a região tão esperada, Fixin. Em francês eles pronunciam “ficsim” ou o mais comum “fissam”. Posso confessar que foi uma das minhas principais razões de visitar a Borgonha, era de conhecer esta região e explico porque. No começo do ano, bebi um Fixan e que me encantou muito, tanto pela sua cor, um vermelho cereja e brilhante que nunca tinha visto e na boca, complexo, equilibrado, um vinho que para quem tomou jamais esquecerá. Voltando a Fixin, a região, andei pelos terroirs e como é bem pequena, pude encontrar mini terroirs nos “quintais” das casas. Sim é verdade! A região em si é bem aconchegante, com seus sobradinhos e jardins todos muito bem cuidados. Não tem nada de grandioso como eu podia esperar, mas creio que o segredo esta ai, no pequeno cultivo, todo terroir muito bem cuidado e o vinho feito no quintal de casa.


Entrada de Fixin, Fachada da Olivier Guyot e eu comprando vinhos de garagem

Saindo de Fixin, passei por Brochon e logo cheguei a tão encantadora Grevey-Chambertin. Uma cidade muito linda, com suas casinhas bem antigas, muitas de pedra. Flores decorando as janelas e entrada das casas. O centro comercial é outro lugar que encanta. Bares com mesas para fora, boas opções de comércio e onde você pode comer bem e tomar um bom vinho. E claro, como estava lá não podia deixar de cair nesta tentação, parei no Restaurant Chez Guy and Family, onde me deliciei com um belo pescado, acompanhado por uma tábua de queijos e um simples Bourgogne Alicoté de Grevey-Chambertin. Neste dia fazia 36 graus, imagine a minha preocupação quanto aos vinhos. Cheguei a perder um que comprei na adega do restaurante onde almocei. Voltei lá e muito gentilmente me trocaram a garrafa. Em Grevey-Chambertin aproveitei também e descobri várias pequenas lojas de produtores com 2 palavrinhas mágicas : Auvert (Aberto) e Degustation Gratuite, esta nem preciso explicar. Pude degustar de tudo, de Gran Cru aos mais comuns. Consegui até ganhar um blend feito na hora de uma produtora, misturou alguns vinhos e me deu uma garrafa de presente. Não hesitei, levei para o hotel, segui as recomendações e claro passei no mercado, comprei um bom queijo e foi ai o meu jantar. O blend não estava dos melhores, mas foi uma experiencia. Depois de Grevey-Chambertin, passei por Clos de la Roche, uma comune de 16,90 hectares de Gran Crus. Eu digo, é um paraíso ver todas aquelas videiras que na minha ignorância, fazem os melhores vinhos do mundo.


Videiras e algumas denominações

Seguindo minha epopéia, se é que posso chamar assim ainda visitei Morey-Saint-Denis e Chambolle-Musigny, onde conheci uma produtora (Domaine G. Roblot Marchand & Fils) que faz seus vinhos na garagem de casa. Tem sua produção descansando em berços (barris) esplêndidos no subsolo de sua casa. Pude conhecer sua adega, provar todos os vinhos que tinha disponível e conversar um pouco com a dona da adega. Comprei um Chambolle-Musigny 1er Cru e um Vosne-Romanée, ambos 2007.

As visitas e as grandes surpresas

Continuando minha jornada pela Borgonha, ainda em Chambolle-Musigny conheci uma loja chamada Caveau des Musigny onde conheci um francês com o nome de Paulo, acreditam? Na verdade é um francês filho de portugueses. E adivinha qual foi a língua? Claro, o nosso bom portugues! Foi uma visita das mais proveitosas. Passei mais de 2 horas na loja onde pude degustar vários vinhos e conversar sobre a região. Recebi indicações de preços, lojas e sobre a região. Comprei algumas garrafas e segui o meu caminho. Já estava esquecendo, passei por outra loja e muito charmosa por sinal chamada Caveau de Vignerons em Morey-Saint-Denis, tem boas opções de Grand Cru.


Caveau de Vignerons e Caveau des Musigny

E falando em lojas, uma outra ótima indicação é uma que fica na cidade de Beaune, a La Vinotheque. Loja administrada pelo Sr. Jerome que tem no subsolo da loja uma adega muito bonita, climatizada, de paredes de tijolo e caixas de vinhos tanto de decoração nas paredes como outras espalhadas pela loja. Uma adega sonho de consumo para qualquer amante do vinho. Não pensem que fiquei de loja em loja, fui atras de alguns produtores. Afinal este era o meu objetivo.


La Vinotheque

Apesar de ser época de férias antes de sair do Brasil havia contatado por e-mail dois produtores. Já conhecia o vinho deles , o primeiro Olivier Guyot. Agendei uma visita mas infelizmente o Sr. Olivier não retornou de viagem a tempo. Frustrado, pois dos dois contatos que eu havia feito, só ele havia me respondido. Não desisti. E fui à St.Philibert, próximo a Beune. Lá fui tentar encontrar o Sr.Jerome Galeyrand e não é que tive sorte! Cheguei em sua casa, modesta por sinal, mas bem típica. Entrei pela garagem, que na verdade funciona como um depósito de vinhos climatizado. Várias caixas já prontas para venda e algumas garrafas em cestos de metal. Saindo dali fomos até sua adega, fica no quintal da casa, um espaço relativamente pequeno, com algumas barricas e uma em pé com alguns vinhos. Conversamos, bebemos alguns vinhos, dentre eles um Gran Cru tirado da barrica. Pessoa muito simpática este Jerome, falamos inclusive sobre vinhos brasileiros, exportações e as dificuldades de enviar vinhos para o Brasil. Sinceramente, esta visita valeu por toda viagem. Ser recebido exclusivamente por um pequeno produtor na Borgonha, conversar durante horas sobre o mundo do vinho e tudo isso regado a Primer Cru e Gran Cru, como dizem… não tem preço!


Jerome Galeyrand me recebendo em sua adega

No último dia fui para Vougeot, conheci o Chateau La Tour Clos Vougeot onde apreciei um Gran Cru e um Beaune, logo depois fui para o Chateau Clos Blanc de Vougeot, onde é mais turístico.


Chateau Clos-Vougeot

Esta é minha aventura de 3 dias pela Borgonha. Próxima parada, Champagne !

Edição: Evandro Silva

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